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O dia em que o Facebook não acabou

Comunicação Digital | 21 Abril 2017 | Hugo Picado de Almeida

Se há pergunta que amiúde nos fazem clientes — não sem algum temor — e amigos — não sem alguma malícia — é “quando é que o Facebook vai acabar?” A pergunta, claro, vem munida de uma armadilha: “e o que é que vocês vão fazer quando o Facebook acabar?”

Respondemos desde já: o Facebook nunca vai acabar. Poderá mudar, tomar outras roupagens, estender-se a outros territórios e assumir novas formas digitais, mas nunca irá acabar. De nada vale ir exumar o cadáver do MySpace ou nostalgicamente recordar o Hi5. Em nada são comparáveis ao Facebook. E as razões são assinalavelmente claras.

Facebook: um império em constante expansão

Nunca, até hoje, uma rede social constituiu um império como aquele que o Facebook é actualmente. Avaliado em 328 mil milhões de dólares (Fortune, 2016), o Facebook, dominante enquanto rede social nos seus 1,2 mil milhões de utilizadores activos diariamente (Facebook, 2017), conquistou para si o poder de fazer face a uma série de ameaças. Isso é bem visível na sua política de aquisições: perto de 60, e maioritariamente a partir de 2010. Se muitas destas aquisições são feitas para adquirir talento (resultando no fecho da empresa comprada e da integração da sua tecnologia/equipas/valor no Facebook), algumas das aquisições mais sonantes revelam bem a dificuldade de ombrear com este gigante das Redes Sociais. WhatsApp e Instagram, plataformas cujos serviços rivalizavam com componentes do Facebook, foram adquiridas por 19 mil milhões de dólares (Whatsapp) e mil milhões de dólares (Instagram). Igualmente relevante, e sintomática do movimento de constante expansão e inovação do Facebook, foi a aquisição, em 2014, da Oculus VR por dois mil milhões de dólares.

A compra desta empresa de realidade virtual deixava entrever o caminho que tem vindo a ser traçado nos últimos anos, e que entretanto se veio a confirmar esta semana, na conferência anual de “developers” do Facebook, a F8. A realidade — já nem tanto virtual mas sobretudo aumentada — promete um novo quebrar de fronteiras e cada vez mais estender os tentáculos do Facebook.

Com o Spaces, plataforma de VR onde os utilizadores poderão conviver em salas virtuais por meio de avatares, encontros entre amigos podem ganhar novos contornos, e reuniões de trabalho à distância serem potencialmente mais eficazes. Da mesma forma, a realidade aumentada — por enquanto alicerçada nas câmaras dos smartphones — promete revolucionar a forma de produzir e interagir com os conteúdos (e, bem assim, com o mundo que nos rodeia).

Tudo isto é parte de um evidente movimento de conquista de novos territórios, e o ataque ao Snapchat, que se iniciara com a disseminação da funcionalidade “Stories” em Instagram e Messenger, torna-se agora óbvio com os filtros de Realidade Aumentada, levados ao expoente com a colocação nas mãos dos utilizadores da possibilidade de criar os seus próprios filtros. No fundo, é o Facebook à procura de se tornar numa rede social cada vez mais presente em todos os momentos da vida de cada um — à semelhança do WeChat, na China. Recorde-se que, nos EUA, já é possível fazer rápidas transferências de dinheiro entre amigos através do Facebook Messenger.

À conquista de novos territórios

E tudo isto nos leva a um outro ponto: a capacidade de investimento, que permite ao Facebook actualizar-se, reinventar-se, e levar o seu negócio a outros níveis. Se tinham adquirido os Oculus VR, o Facebook parece confirmar a sua intenção de continuar a investir em Hardware: a F8 viu também serem anunciadas duas câmaras 360º (as Facebook Surround 360) para captação de fotos e vídeos interactivos a 360º, e ficou no ar a possibilidade do Facebook investir futuramente na produção dos seus próprios óculos de Realidade Aumentada. A visão do futuro parece clara na mente de Mark Zuckerberg: “A possibilidade de ter apenas óculos ou até lentes de contacto onde sobrepor qualquer tipo de informação que se queira (…) significa que podemos pôr uma TV na parede através de uma app de $1 em vez de com um equipamento de $500. Mesmo que os óculos custem $500, a poupança de dinheiro é enorme, se comparados com todos os outros equipamentos que teríamos de comprar.”

O Facebook nunca irá acabar porque o Facebook é muito mais do que uma rede social, é muito mais do que um chat, é muito mais do que um feed de notícias, é mais do que uma plataforma de jogos e de um canal para venda de artigos em segunda mão, mais do que um ponto de interacção com empresas e centro de costumer care, é mais do que uma loja online, mais do que uma fonte de entretenimento… É isso tudo, ao mesmo tempo, e os dados existentes permitem-nos esperar que, no futuro, seja ainda muito mais.

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