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O #EmojiGate e a coerência visual

Comunicação Digital | 2 Novembro 2017 | Miguel Menaia

No fim-de-semana passado, as redes sociais entraram em polvorosa depois do utilizador Thomas Baekdal ter reparado que o emoji do hambúrguer da Google estava retratado de forma caricata. Aparentemente, a questão impôs-se no Twitter e milhares de utilizadores expressaram a sua opinião. Afinal de contas, qual é que é a maneira correcta de montar um hambúrguer? Há quem diga que o queijo deve vir por cima da carne, mas a Google colocou-o no fim da sandes, o que causou controvérsia.

Este tema foi de tal forma impactante para a comunidade que o CEO da Google, Sundar Pinchai, respondeu em tom de brincadeira ao assunto. O executivo disse que “iria largar tudo o estava a fazer” para corrigir esta falha gastronómica. E certo é que as marcas, sobretudo as que estão ligadas à indústria da restauração,  já se aproveitaram da situação para criar conteúdo digital.

Veja-se o exemplo da McDonnalds da Índia, que foi paradigmático e que gerou algum engagement:

Seja qual for a nossa opinião em relação à disposição dos hambúrgueres e ao #EmojiGate (assim se chama o acontecimento que foi trending topic no final de Outubro), este assunto traz à baila outro mais importante: a coerência visual.

Por mais que exista inovação, a verdade é que certas coisas seguem uma coerência lógica e universal. Uma cadeira pode ter inúmeras formas, tamanhos e cores, mas na sua génese está e estará sempre um assento e um encosto (que juntos formam uma espécie de “L”). Da mesma forma que um teclado pode ter configurações diferentes, mas mantém, geralmente, a mesma forma.

Nesse sentido, olhemos momentaneamente para os emojis. Se são uma linguagem universal dos tempos modernos, devem ser compreendidos pela maioria das pessoas, certo? Assim, faz sentido que espelhem sentimentos, objectos e actividades que todos nós consigamos decifrar facilmente.

Colocar o queijo na parte debaixo de um hambúrguer não faz com que os utilizadores deixem de perceber que emoji é aquele, mas é verdade que isso não oferece uma coerência visual à marca Google – da mesma maneira que o emoji da cerveja levanta algumas questões precisamente por ser insólito.

Em suma, as marcas e as empresas devem retirar algumas ilações deste episódio. Criar coerência visual é bastante importante para uma empresa, pelo que certas coisas devem estar cingidas a determinados cânones.

E isso, todavia, não faz com que a criatividade seja limitada. Porque podemos ser disruptivos seguindo as normas.

Até porque para se pensar fora da caixa, a caixa tem que lá estar.

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