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Fake news na mira da aliança entre Facebook e Media tradicionais

Gestão de redes sociais | 12 Janeiro 2018 | Hugo Picado de Almeida

O dicionário britânico Collins escolheu fake news como palavra do ano em 2017. A escolha é justificada pelo seu uso crescente, de 365% face a 2016, ano em que, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e com o referendo que deu luz verde ao Brexit, no Reino Unido, o Facebook se tornou alvo preferencial das críticas sobre a rápida proliferação das fake news (notícias falsas) na sua plataforma.

Foi neste contexto que, ainda em 2016, pouco depois das eleições norte-americanas, o Facebook começou a alertar os seus utilizadores nos EUA para a eventual desinformação de conteúdos presentes na plataforma.

Facebook contra fake news

Em Portugal, esta ferramenta ainda não existe, mas chegou à Europa via França, em Fevereiro de 2017, com a parceria entre a empresa de Mark Zuckerberg e cinco media franceses, encabeçados pelo Le Monde, que também desde 2017 faz um trabalho notável, na sua edição online e através da rubrica Les Décodeurs, de sinalização de informações falsas e esclarecimento da verdade sobre uma grande variedade de temas. A equipa do Le Monde desenvolveu ainda um bot de Facebook que ajuda a verificar informações presentes na rede e um plug-in para os browsers Chrome e Firefox que permite verificar a informação presente em sites visitados pelo utilizador.

Voltando aos terrenos do Facebook, 2017 assistiu ao melhoramento e adaptação das estratégias de combate às fake news, tema de crescente relevância nos discursos dentro e fora da rede. Em Janeiro de 2018, a ferramenta que alia os media franceses (Le Monde, AFP, BFM-TV, France Télévisions, France Médias Monde, L’Express, 20 Minutes e o Libération) está em total funcionamento, e concretiza-se da seguinte forma.

Como funciona a parceria entre os media tradicionais e o Facebook no combate às fake news?

Diariamente, o Facebook dá aos media parceiros acesso a uma série de artigos marcados como “suspeitos” ora pelos próprios utilizadores ora pelo próprio algoritmo do Facebook. A cada dia surgem dezenas de novos conteúdos, tanto de media tradicionais como de uma grande variedade de outras fontes. Os parceiros do Facebook podem então examinar esses conteúdos e marcá-los de acordo com a seguinte classificação:

“Verdadeiro”: informação globalmente autêntica e verificada.

“Falso”: o essencial da notícia é falso e identificável como fake news.

“Mistura”: ainda que o essencial da notícia seja verdadeiro, existem informações falsas.

“Não elegível”: quando é possível clarificar os factos apresentados pela notícia, mas não se tecem considerações sobre a sua veracidade.

Caso um artigo seja assinalado como fake news por um parceiro do Facebook, a plataforma passa a avisar os utilizadores (franceses, no caso) que pretendam partilhar o artigo em questão. Além de os notificar de que a veracidade da notícia foi contestada, o Facebook apresenta em seguida outros artigos relacionados com o tema.

Le Monde denuncia fake news

Por que deve este trabalho recair sobre os media e não sobre o Facebook?

Como refere o Le Monde, o trabalho crescente de verificação de artigos submetidos pelo Facebook traduz-se, actualmente, numa lista de centenas de artigos mensalmente publicados pela rubrica Les Décodeurs, um trabalho que é submetido aos mesmos valores e critérios de exigência das restantes publicações do jornal, inclusive juridicamente.

Em termos de posicionamento, o Facebook deve também preservar este distanciamento, deixando a avaliação para os media de independência reconhecida e escusando-se assim a ser posto em xeque por tentativa de controlar a circulação de informação. Uma vez que o Facebook não dispõe de uma redacção própria nem possui, portanto, a experiência e competências necessárias para esta verificação, o Facebook remunera os media seus parceiros por este trabalho, um sinal claro do compromisso que Zuckerberg assumiu na luta contra as fake news.

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